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Editorial                                           

O que importa é continuar na dança, cada qual escolha  seu ritmo, todo tempo é tempo de colocar o bloco na rua, sem nada que nos desanime, sem banda que se canse. As palavras continuam nos procurando, loucas,cheias de energia e ainda acreditando que a festa continua.

Jurema Barreto de Souza

 

 

Tecendo a Manhã 

Um galo sozinho não tece uma manhã:  
ele precisará sempre de outros galos.  

De um que apanhe esse grito que ele  
e o lance a outro; de um outro galo  
que apanhe o grito de um galo antes  
e o lance a outro; e de outros galos  
que com muitos outros galos se cruzem  
os fios de sol de seus gritos de galo,  
para que a manhã, desde uma teia tênue,  
se vá tecendo, entre todos os galos.  

E se encorpando em tela, entre todos,  
se erguendo tenda, onde entrem todos,  
se entretendendo para todos, no toldo  
(a manhã) que plana livre de armação.  

A manhã, toldo de um tecido tão aéreo  
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

João Cabral de Melo Neto

 

 

Rosana

Um dia conheci uma  mulher.
Os orgasmos passavam por ela como rajadas de vidas
Pinceladas em notas do Bolero de Ravel.
Ela não era diferente das mulheres que em primaveras
Revelavam-se em bares e vielas
Saltando de trás dos muros
Para dentro de fotos
Com as almas roubadas.
Crianças e caminhos pousaram
Em madrugadas de rebentações e avalizaram sua vida.
Ela enxergou o pulsar do tempo
A equilibrar-se nas ruas que atravessou.
Segura em seu abrigo hereditário
Sabe que tempestades não abalarão
Seus retratos na parede.
Suas culpas foram lavadas
Nas mesmas águas que em milhares de anos esculpem as rochas.
Esta mulher eu vejo enterrar
Seus mortos e modelos
Em tardes escuras e proibidas
Em solo herege onde brotam ramos de saudades
De sonhos desviados.
Ela caminha lentamente
Ao final de sua história
Penhorando seus tesouros em garantia que a vida segue adiante.
Sob uma luz solitária
Assisto-a levar
Suas pernas cansadas todas as noites para a cama
Com a sensação de última vez.

Rosana Banharoli

                                      

 

Tempo

Como numa batalha avassaladora
Não tive medo.
Fui encontrar-me com o espelho.
Pensava que o espelho fosse
Baralho cigano.
Mas de cigano, só a minha vida...
É . O espelho não mente;
Ele mostra a nossa cara
Pra cara da gente.
Mostrou-me às horas
Que ficaram para trás
E que estavam estampadas
Nas rugas do meu rosto.

Cecília Villanova

 

 

 

Penélope

Espero.
Tal Penélope
teço a teia
de suspiro e saudade
em ponto meia.
Às noites de lua
entremeio
fios de paixão
brilhos de prazer
bordados em canção
eu, toda nua,
vestindo tua mão.
Pronto o manto
envolvo de encanto
loucos sonhos na cama,
a trama de quem ama.
Tal Penélope
na noite sem lua
sem teus passos na rua
desmancho, desfaço,
meus pontos, teu laço.
A solidão, não meço.
Amanhã, recomeço.


Tania Diniz

 

 


A propósito

Sobre mortos
Sobre vivos
Sobretudo
Sobrevivo


Ricardo Alfaya

 


 

E o vento leva...

Roda de ciranda, lápis de cor
Apareceu a Margarida olê olê olá
Álbum de figurinhas
A Dama e o Vagabundo
Namoro disfarçado no portão
Bolinhos de chuva, suco de limão
O vento levou...
O primeiro soutien,
A paixão pelo professor
No escurinho do cinema, filmes de amor
O Crime do Padre Amaro
Suspiros, sussurros, aventuras
Livro escondido para horas noturnas
O vento levou...
O anel de compromisso
Os planos, a nossa verdade
Vou ser Hippie!
Recordações de amor
O sonho de independência fica para depois
Detalhes tão pequenos de nós dois...
O vento levou...
Ele leva, mas traz de volta
Novas pinturas, outros livros
Novas verdades, outros planos
Outros ritmos, nova dança
Caminhando contra o vento
Sem lenço, sem documento
Um novo momento...
 

Yara Lima Oliveira


 
lo que nos recuerda las manos son las cuerdas
entonces manifiesto por los ojos la angustia y la crueldad
del plástico forzado por mi cadáver
es mantenerse incluso cuando los brazos forman huecos
no el estómago cansado
sino la insolencia de rasgar su privilegio
la cercanía limita el encaje que es la carne
mediante el grito que nos triunfa en delirio acabado
yo me postergo y me rebelo
contra la blanca solicitud de la pared reinante
y cargo heridas
aullar o permitirse el encierro
creo pero tener
el desnudo babosa el rastro plateado
y mi jurar no consentirse en espejos indecibles
es la lo
que das
mi búsqueda es un cuchillo o una piedra y otra flecha
machacadas contra la fuerza recta
pero quiero pertenecer
la cocina tiene patas son las arañas restantes
de la comida podrida
de mamá
es el designio de la abuela antes de
muerta
es mi propio ser habitando por la risa abierta
es la gota seca de la rabia marcando muecas
mi baba retorcida en precipicios
a pleno diente roto su garganta es mi depósito

Yamila Grecco



A Noite

na noite fria de setembro
a lua revela anjos caídos
e o vento sopra pesadelos
na noite fria de setembro
a loucura é um reflexo nu
e o silêncio fez-se ouvir

C. Canha Closel

 

 

... nova travessia...

penetro teus caminhos
... à procura ...
... ... ao desencontro ... ...
das gotas que a manhã deixou

amanhã é
... penetrar as sombras do dia
em busca dos brilhos mais belos da noite
te existir em cada esquina
do corpo cálido que alucina
em qualquer momento da estrada fria
que era a vida
antes

pois somente você guarda
os segredos de minhas rimas
entre quantos outros trecos trancados
a sete chaves de prata ...
o que resta a mim além de ser pirata
e percorrer os mares em busca
de seus tesouros???

Chicco Lacerda

 

 



Matéria publicada em 01/02/2009   - Edição Número 114