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Editorial


 
                                                pausa & poesia

restos de ontem não amanhece o dia & o melhor de tudo é deixar acontecer pra ver que sol vai dar, qual o caminho que aponta a inspiração & por qual canção inaugurar o silêncio da manhã. sedução de calma & poesia. nenhuma pressa me interessa. a cidade que mora em mim não se desespera. não atravessa o farol fechado, não faz o sinal da cruz & não paga pecado. nem inferno & nem paraíso, afinal, todo juízo é pouco & quando muito, exagera. contemplações à parte. preciso & necessário é reinventar a paisagem mesmo sendo simples viagem do infinito possível. acredito & levo fé. não se constrói nenhum futuro sem estar no presente. utopia não é teoria na selvageria onde brigam o querer & poder em vias de interesses & pretensões, mas sim um arco teso disparando setas cujo alvo é & sempre será a paz & o amor. digo sim, o riso & o risco na mesma companhia, desgarrados & de boca em boca, de voz em voz, o mesmo canto. a mesma surpresa da concepção & a mesma plasticidade. idade de perdurar a maravilha do sonho sobre a vida. digo amém a quem possa interessar a sintonia dos elementos poéticos que vivem em ondas de considerações, entre muitas vozes, criando elos de celebrações & encantamentos. digo sim a todos que repartem existência & convivência estimulando a reflexão entre a vida & a arte. pausa para olhar & ver & descobrir a poesia como o óbvio do novo, refazendo a festa, a farra & segurando a barra nas freqüências das paixões.


zhô bertholini

 

 
SINAL DE FUMAÇA

TAMBORES, TECLADOS, TOCHAS.
MENSAGENS DE DISTANTES TRIBOS:
TRANSPOR TIRANIAS
TRANSFORMAR, TRADUZIR,
DESMISTIFICAR PROGRAMAS,
LIMITAR INVASÃO
DE PÂNICO CAÓTICO.
TAMBORES, TECLADOS, TESÃO,
HARMONIZAR LÍNGUAS
UNIFICAR TERRAS
TINGIR DE VIDA 
A POESIA NECESSÁRIA.
LIGAR ESPAÇOS VIRTUAIS
CRIAR TRINCHEIRAS.
SALVAR SENTIDOS NA SALIVA
DAS PALAVRAS SINCERAS,
BLOQUEAR HIPOCRISIA CÓSMICA,
DELETAR VÍRUS DA HUMANA DESCRENÇA.

Jurema Barreto de Souza

 

 

Ao Nascer de Um Novo Dia

Mais uma noite...
O lobo uiva
nos notifica que a noite é de lua cheia,
mas, ainda romântica...

No silêncio da madrugada
os cães ladram a qualquer sinal
não aceitam nem mesmo o vento soprar...

O galo enche o peito
e canta... solto um som imponente...
anuncia o nascer de um novo dia...

A neblina fina cai suave sobre a Cidade...
O sereno pousa levemente nos campos...
beijando docemente a grama e o solo...

O homem e a mulher
se contorcem e gemem de prazer sobre a cama
em mais uma noite de amor...

A criança tem um sono tranqüilo...
sonha sempre com aventuras de final feliz...
sorri com os olhos cerrados...

Os velhos adormecem...
sem saber se poderão usufruir mais um dia...
a idade vem, e não há como contestar...
o Tempo continua único vencedor!

Os seres são incapazes de permanecerem...
nada é eterno! exceto o Tempo, que mantém-se
firme e indiferente...

Mil peripécias... mil contradições...
é a velha e boêmia natureza
com todos seus encantos...
mantidos minuto a minuto
aconteça o que acontecer...

Marcos Leonidio

 

 

Bumerangue

Em casos de extremo retorno
Tente de novo
Ao menos pra compreender
Que não passa de hoje
Que nada volta
Ao mesmo ponto
Para maiores informações
No posto dos votos
Já faz algum tempo
Já foi o pombo
Meio cedo pra avisar
Que agora é pra valer
Faz séculos
Faz outro rogo
Noutro plano de partida
Por via das dúvidas
E questões em aberto

Edson Pielechovski

 

 

Vida Oficial

Foi meio assim sem querer querendo
Que inventei meu inverso
Canto onde nada e ninguém
Entra sem aviso prévio
Foi numa noite de lua
Cheia de confusões com a rua encantadora
De novos agentes secretos
Nas nuas confissões das estrelas e das ondas
Receita fermental ao pé das lendas
Retratos que não rasgo por questão de relevo
A minha vida oficial

 
Edson Pielechovski 

 

 

Antes del final

Estoy solo.
Quiero escribir todas las páginas del mundo
leer la cifra secreta oculta en el agua primordial
cantar el canto nuevo de la nueva humanidad/
cantar sin tiempo un canto de lluvia y empaparme la cara
y la sangre de agua fresca/ del agua clara que baja de la cima.

Y me pregunto: ¿por eso estoy aquí?

en medio del desierto rodeado de gente que no conozco.
¿Conozco esta gente? ¿me rodea y me habla a mí? ¿a quiénes hablan?.
Quiero decir estos poemas con la voz de un pájaro y el zarpazo de un tigre.
¿Qué son estos poemas? ¿qué es eso que llaman poesía?
Clasificar el mundo y sus objetos
y ponerle número a cada cosa es la religión de los tiempos.
Una legión de fanáticos caminan detrás de los objetos.
El arte es el opio de los pueblos dicen los nuevos pastores
¿existe el arte? ¿el pueblo?
¿dónde están los pastores de este inmenso rebaño de ovejas?.
¿Por qué estoy aquí? ¿porqué aquí y no allá?
allá donde el sol broncea el cuerpo de felinas mujeres
o más allá/ donde el hombre inventa distintas muertes cada día/ todos los días.
Estoy solo/ busco amor.
Quiero ser el amado.
¿Me alcanzará?
¿Me alcanza esta soledad para escribir el poema total?/
ese aleph/ ese inalcanzable.
¿O el amor y el deseo de una dulce obrera del mercado
es el fin de todas mis utopías?
naranjas papas y manzanas en sus manos sucias y sus jugos en mi cuerpo
y sus ojos admirando mi palabra/ mis sombras/ mis castillos de humo.
¿Para qué nacer amar desamar y morir?. ¿para qué Dios de los vencidos?
dime Dios ¿para qué?
Quiero ser el amado/ el bienamado/ el más amado.
¿Y el paraíso terrenal/ la revolución/ la súper hembra/ el gran polvo?
y buscarte en lo alto/ más alto que los fatuos cielos
¿dónde estás padre?.
¿Y los hombres/ la libertad/ los ideales supremos/ la loca utopía...?.
¿Qué hago acá en este punto infinitesimal del cosmos
intentando trascender con palabras demasiado gastadas?
¿Y los hijos? ¿y esta sangre que me sucede como revolución ansiada?
Hombre que inventa religiones/ mecanismos/ discursos/ fantasmagorías
¿porqué y para qué el poema? ¿dónde la poesía?
¿ese arco tensado entre dos estrellas ilusorias?
¿dónde la flecha que atraviesa esta eternidad de instantes?
la poesía: esa oscuridad/ luz/ pensamiento/ genio encerrado en una botella/ todo y nada.
¿Detendrá mi palabra algún día la bala del suicida o el asesino?
¿es necesario el poema/ el poeta/ el inventado/ para detener esa bala?
¿justificará ese instante el poema?
¿la miseria del mundo/ el hambre/ la muerte sin sentido?.
Estoy solo/ sin padres/ sin hijos/ sin amada en medio de la noche cósmica.
Estoy temblando.
Voy a morir.
¡Pero antes voy a salvarme!.
¡Antes escribiré el poema que frenará la bala
de la infinita tristeza del hombre!.

Aldo Luis Novelli

 

 

POEMA AO TEATRO DA VIDA

FABULOSA VIDA, CENÁRIO REAL
MÁGICOS PALHAÇOS COMPONDO QUIMERAS
MARIONETES VIVOS,INTERPRETES DESSE CORDEL GENIAL
ESPETÁCULO ABERTO, SEM FILA DE ESPERA

AH! SE NA VIDA SÓ EXISTISSEM PALHAÇOS...
SONHADORES,ILUSIONISTAS, REIS DA ALEGRIA
VENDEDORES DE SONHOS, CRIADORES DE UM MUNDO ENCANTADO
INÚMEROS CARLITOS, FAZEDORES DE RISO E DE MELANCOLIA

A MOÇA DA VIDA REPRESENTA SUA PANTOMIMA
DESPERTA MALÍCIA NOS TRANSEUNTES DA DOR
PAPEL DE MERETRIZ DE UM BORDEL DESBOTADO, FRIO E INCOLOR

O HOMEM BÊBADO, POETA DO INFORTÚNIO
RODOPIA, DANÇA NA CHUVA, FAZ PIRUETAS E GIRA CAMBALHOTAS
A PLATÉIA SE DIVERTE FAZENDO GALHOFAS

O VENDEDOR DE SOMBRINHAS, PÁRIA QUE COMOVE O TEMPO
ARMA GIRASSÓIS MULTICOLORES
GIRÂNDOLAS NA CHUVA, BALANÇA CONTRA O VENTO

SOU UM FANTOCHE DESSE CIRCO MAGISTRAL
ESPECTADORA OCULAR DE TANTA ESTESIA
NO ÚLTIMO ATO DA PEÇA, VEM A MORTE E VESTE SUA FANTASIA

TOCA A CIRANDA
FAZ-SE SILÊNCIO
CERRAM-SE AS CORTINAS
APAGAM-SE AS LUZES
ACABA A MAGIA

 Tereza Neumann

 

 

GABRIEL:

  eu que vivi sem pátria entregue
  ao ócio ao sol em sonho em
  todos os lugares
  eu

  que vivi sem pátria
  que vivi somente

  com o gosto do vinho e o brilho
  as cores da Espanha e o luar
  eu que vivi sem pátria morro

  de raiz

Eunice Arruda

 

 

Agora não mais agora


o implacável ardor que é viver
enquanto grassa
tudo o que passa


implacável ardor que não se cansa
na linha do destino o fogo dança
o implacável ardor apenas dança


o sonho a cada sonho mais informe
a vida mais torta a cada vida
eu te amei mais do que te amava
amor com amor se apaga
outras maçãs outras manhãs
anos enganos
sobre o fio da navalha dança
o vacilante coração do instante

Aricy Curvello

 

Corais

A ausência de pés me
possibilita voar
e fechar
as portas a quem
não desejo que adentre
em minhas utopias.
É tão bom estar
com você e esquecer
que lá fora os corais
entoam outros cânticos
e a harmonia é solidão.

Ediney Santana



Matéria publicada em 01/07/2008   - Edição Número 107