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EDITORIAL

A Poesia continua sua jornada de recriar o mundo, dar-nos pistas de eternidades e luzes no fim dos túneis, que são tantos. Criar alternativas, reunir-se, partilhar, essa é nossa parte neste latifúndio de sonhos.

Jurema Barreto de Souza

Rústica

Era um homem simples, rústico.
Tomou a cigarra entre os dedos
carinhosos
e quedou-se embevecido,
sentindo a poesia cantar
               dentro da mão poderosa.

Anderson Braga Horta
in Poesia de Brasília
Editora Sette Letras
Organização: Joanyr de Oliveira
Brasília - 1998

Coisa sobre coisa

meses fósseis
habitam esse inverno
        de cimalha e tranças

        o dia
testemunho da ruína
que cavamos

               cabe
num gesto de lisura
inacabado

Júlio Polidoro
in Outro Sol
(poesia reunida:1979-2003)
Funalfa Edições
Juiz de Fora-MG -2004

ESQUIZOFRENIFORME

Amigos
nunca existiram.
Obra na privada.
Onde mais?

Delírio
doença
alucinações

Nenhum Jabuti
ou Nobel
pagará essa dívida
com todos.

Epilepsia
Eletrochoque
são prendas poucas
pro poeta sem-deus.

Bruno Candéas
in Férias do Gueto
Recife-PE-2005

Domingo no parque

Privilégio das formigas
Assistir o sol adentrando
Na copa da árvore.

Privilégio dos pássaros
Ser o entremeio
Dos raios e da copa.

Me rendo ao banco de madeira.
Brisa nos olhos e na copa.
Formiga na manhã de sol.

Débora Fernandes Tavares
São Paulo –SP

OBSESSÃO

A formiga dá as costas para o mar
e trabalha.

Resignada,
vê apenas a luz do dever.

Nada lhe diz a brisa,
nem os caminhos tortuosos do amor.

A formiga dá as costas para o mar
e trabalha:
voar não lhe faz nenhuma falta.

Edival Perrini
in Traços do Ofício
Poemas do Encontrovérsia
Curitiba-PR -2004

O ÍNTIMO DOS OLHOS

Flamejantes olhos negros, langues
no íntimo do olhar a fervura
e a antiga inquietação,
então no tablao o desatino das danças
mãos que estalam os dedos e marcam
o ritmo sem freio dos passos,
refolhos de babados enroscam-se
em suas pernas, assim começa a sapatear
e a febre sobe tremendo o corpo
em convulsões, cavalos, desejos.

Silvia Jacintho

EL CENTRO DE LOS OJOS

Flameantes ojos negros, lânguidos,
en el centro de la mirada, la efervescencia
y la antigua inquietud,  
en el tablao, el desatino de las danzas
manos que chasquean con los dedos y determinan
el ritmo desenfrenado de los pasos,
volantes  ramosos se enroscan
en sus piernas, empieza entonces a zapatear
y aumenta la fiebre, le tiembla el cuerpo
entre convulsiones, caballos, deseos.

Silvia Jacintho in Dança do Fogo
Estudo sobre o Desejo
Tradução para o espanhol Helena Ferreira
Rio de Janeiro-Imago Ed. -2004

a coruja

são todo ouvidos
os teus olhos
de vigília.

olhos acesos,
luzeiros
de sabedoria.

olhos atentos
à geografia
do dentro

és uma concha.

um encorujado
caramujo.

monja em voto de silêncio.

Sérgio de Castro Pinto
in Zôo Imaginário
São Paulo –Escrituras Ed. -2005



Matéria publicada em 01/07/2005   - Edição Número 71