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Editorial

Fevereiro chega, muitos aprontam as fantasias outros tramam estratégias de guerra. Nós, cheios de esperança, pisamos firmes na Poesia, para surfar sobre a violência cotidiana. Muitos são os movimentos poéticos,  muitas tribos e legiões. Se somos, como diríamos, “do bem”, quem será contra nós?

A Poesia não é um passatempo, é uma atitude. Lutamos pela “Fome Zero”, do corpo e da alma. A arte está de bandeja para todas as fomes, fora da mídia o banquete é farto.”E você tem fome de que?”.

Jurema Barreto

Exílio

me protejo
me exilo
no quarto
salvador dali  na parede
o violão enforcado
lembranças trancafiadas
entre molduras
no criado
mudo
livro  de murilo
tudo dentro
da retina morta
nos olhos do menino.

Radi Oliveira - Grupo Palavreiros
www.palavreiros.hpg.ig.com.br
Antologia: Tempos Perplexos - Poética Socia

Herança

Não  deixo bens
aos que ficam.

De mim
restará a palavra
(antes cinzel)
agora verso
a burilar os homens.

Luiz Otávio Oliani
looliani@uol.com.br

Noturno

Não há cansaço esta noite
anoitece como se
nada houvesse além deste ar
quase um subterrâneo se
não aflorassem brisas queimando
na face ou esta tentativa
aqui desato nós
qual saber o exato
caminho dos que se bifurcam
não há esta noite o cansaço
esta noite acontece
como se cada cigarra
além destilasse um quase
céu de si cantando
- na face a flor desta brisa -
sonhando-nos aqui sem
sequer querer insones

Elson Fróes
elsonfroes@ig.com.br

 

Bolero Blue

beber desse conhaque em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre os dentes
indecente é a forma que te bebo
como ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai.

Artur Gomes

Claridade

é proibido morrer neste chão
      nesta terra de magia
     de palmeiras e trovões
    nesta terra das missões

      é proibido dizer não
  ao sonho que dança no ar
     sobre as nossas cabeças

         estamos indo por aí
         estamos indo por aí
         estamos indo por aí

         estão os índios por aí
         estão os índios por aí
         estão os índios por aí

                    os tupis
                  os tamoios
                e os tangarás

Zhô Bertholini
acigarra@ig.com.br

Leituras

Descompassadamente amo cada letra
junto-as num imaginar de leituras
decoro-as, com elas danço
em horizontes de palavras cantantes

Para cada linha, entrego um pedaço
do tempo das letras
linhas flutuantes no meu olhar
nelas sinto cheiros, gestos, ventos

Estremeço a cada encontro
encontros de céus, na minha língua
no meu ver, no meu peito
atenta começo a sentir o peso da ausência
do meu mar, nos meus braços
do teu cantar no meu tempo de ler

Constança M. L. de Almeida Lucas
http://www.constancalucas.dialdata.com.br
cons@dialdata.com.br

Impróprio para menores

Hoje visto cinta-liga,
me pinto como vedete,
deslizo no desejo,
satisfaço teu corpo ardente.

Anoiteço louca e sensual,
rebolo no quarto nua,
selvagem e matreira,
feito gata sem dono, de rua.

Invento loucuras,
 embebedo-me no teu mel.
Viro “Irma-la-Douce”
pra tua fantasia de bordel.

Odete Ronchi Baltazar
odeterb@terra.com.br

 

Maturidade

A maturidade são as rugas,
umas dores, uns achaques.
É saber que, no fundo da chácara,
teu pai é morto.

José Carlos Mendes Brandão
gregoriovaz@bol.com.br

(des)esperar

               inferno de Dante
quando acaba a esperança
                  resta o instante.

Goulart Gomes
goulatgomes@hotmail.com

Antologia Poetrix
poetrix@bol.com.br



Matéria publicada em 01/02/2002   - Edição Número 30