Fevereiro chega, muitos aprontam as fantasias outros tramam estratégias
de guerra. Nós, cheios de esperança, pisamos firmes na Poesia, para surfar sobre
a violência cotidiana. Muitos são os movimentos poéticos, muitas tribos e legiões.
Se somos, como diríamos, “do bem”, quem será contra nós?
A Poesia não é um passatempo, é uma atitude. Lutamos pela “Fome
Zero”, do corpo e da alma. A arte está de bandeja para todas as fomes, fora
da mídia o banquete é farto.”E você tem fome de que?”.
Jurema Barreto
Exílio
me protejo
me exilo
no quarto
salvador dali na parede
o violão enforcado
lembranças trancafiadas
entre molduras
no criado
mudo
livro de murilo
tudo dentro
da retina morta
nos olhos do menino.
Não há cansaço esta noite
anoitece como se
nada houvesse além deste ar
quase um subterrâneo se
não aflorassem brisas queimando
na face ou esta tentativa
aqui desato nós
qual saber o exato
caminho dos que se bifurcam
não há esta noite o cansaço
esta noite acontece
como se cada cigarra
além destilasse um quase
céu de si cantando
- na face a flor desta brisa -
sonhando-nos aqui sem
sequer querer insones
beber desse conhaque em tua boca
para matar a febre nas entranhas
entre os dentes
indecente é a forma que te bebo
como ou calo
e se não falo quando quero
na balada ou no bolero
não é por falta de desejo
é que a fome desse beijo
furta qualquer outra palavra presa
como caça indefesa
dentro da carne que não sai.
Artur Gomes
Claridade
é proibido morrer neste chão
nesta terra de magia
de palmeiras e trovões
nesta terra das missões
é proibido dizer não
ao sonho que dança no ar
sobre as nossas cabeças
estamos indo por aí
estamos indo por aí
estamos indo por aí
estão os índios por aí
estão os índios por aí
estão os índios por aí
Descompassadamente amo cada letra junto-as num imaginar de leituras decoro-as, com elas danço em horizontes de palavras cantantes
Para cada linha, entrego um pedaço do tempo das letras linhas flutuantes no meu olhar nelas sinto cheiros, gestos, ventos
Estremeço a cada encontro encontros de céus, na minha língua no meu ver, no meu peito atenta começo a sentir o peso da ausência do meu mar, nos meus braços do teu cantar no meu tempo de ler