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O pensamento de Skinner sobre a Aquisição da Linguagem

Kétilla Maria Vasconcelos Prado e colaboradores


Neste artigo procuramos apontar a significação do todo na hipótese tradicional, a partir de mecanismos observáveis de manifestações psicológicas, para que tais singularidades possam fornecer o modelo de aquisição da linguagem, tendo por base os condicionamentos, sendo estes últimos, espécies de estímulos que provocam respostas, nas quais, a imitação e o reforço são necessários, pois Skinner propunha ser capaz de predizer e controlar o comportamento verbal através destes artifícios.

Entenderemos que nesta visão behaviorista não podemos falar nesse processo de aquisição sem antes, colocar em destaque o Empirismo, que mostra o conhecimento, como sendo, derivado de experiências, das quais as estruturas não vêm do organismo, mas sim, são exteriores ao indivíduo.

Ressaltamos que nesta teoria Skinner, encara o processo de aquisição como um comportamento verbal parecido com os outros comportamentos e ações que podem ser aprendidos.

Para simplificar a mostragem do processo de aquisição, o mesmo foi dividido em três fases, que são elas, a fase do jargão, a fase das palavras e a fase das frases, no decorrer deste especificaremos cada uma delas abordando suas particularidades, além de exemplificar em que faixa etária ocorrem.  

Veremos ainda, que o termo aquisição da linguagem é usado comumente para tratar do conhecimento da língua nativa, sendo que a aquisição de uma língua estrangeira aprendida na escola ou não, ocorre de modo muito distinto.

É válido ressaltar também que depois de alguns períodos a própria criança consegue distinguir os erros cometidos na sua pronúncia e passa a tentar corrigi-los. Percebendo muitas vezes, que as regras têm exceções e tentando adaptar sua linguagem com o uso, quando necessário, dessas contrariações da regra geral.

A aquisição da linguagem é dada por habilidades lingüísticas como, a fala, a leitura, a escrita, a escuta e a gramática, podendo ocorrer de forma normal ou patológica,estas últimas, podendo ser orgânicas ou não-orgânicas. 

Identificamos que o behaviorismo é uma versão do materialismo, pois para ele o centro de tudo, não é uma entidade chamada “mente”, mas os desejos, emoções, pensamentos e vontades que devem ser explicados através do comportamento. Também fica claro aqui, que os adultos devem interagir com as crianças, como por exemplo, os professores e os pais precisam auxiliar a criança para que ela se comunique e faça uso da língua.

O processo de aquisição é complicado e extenso, portanto os pais não devem se preocupar com os eventuais erros dos filhos, porque eles irão evoluir e produzirão modificações até chegarem próximo ao modelo imposto pelos adultos.

Este processo aquisitivo engloba fatores como, a rapidez com que a criança passa a dominar a língua, a relação entre a percepção e a produção da linguagem, a diferença entre a aquisição normal e a mesma decorrente por uma criança com algum tipo de desvio, além de saber se algum componente lingüístico é adquirido antes de outro ou se o mesmo serve de apoio para o aprendiz, daí resulta sua dificuldade processual.

A linguagem não é vista como uma gramática mental, estruturalmente dedutiva, e sim, como um comportamento decorrente da aprendizagem, no qual nos aprofundaremos mais adiante.

Fala-se muito em Conexionismo, então faremos uma associação para descobrirmos no que ele interfere e participa no processo de aquisição, analisando segundo seus princípios e em termos neurais, o que ocorre entre os dados de entrada (input) e saída (output) no processamento da aprendizagem.

É importante lembrar que os modelos conexionistas têm por finalidade explicar os mecanismos que servem de suporte para o processamento mental, em que a linguagem é apenas mais um desses processos.

Aprenderemos também que as propostas conexionistas pretendem proporcionar uma interação entre o ambiente e o organismo, e admitem ainda que o aprendizado pode acontecer através de experiências, assim como, no behaviorismo.

Procuraremos mostrar algumas falhas que resultam em problemas para explicar certos casos, como por exemplo, quando as crianças produzem e compreendem determinadas sentenças nunca ouvidas antes, além de outras questões que devem ser analisadas, pois se o aprendizado dá-se por imitação talvez fosse preciso que a criança permanecesse durante um maior tempo exposta à língua, enfim discutiremos sobre o assunto mais adiante.

Serão expostas as críticas de Chomsky em relação às abordagens de Skinner, tanto no campo lingüístico quanto no campo da aprendizagem, o qual Chomsky considera uma estrutura tão empobrecida, além de falar que as suas definições não equacionam a complexidade do sistema e dos fatos de aquisição anteriormente citados.

Poderemos assim, observar ao longo deste, se Chomsky tinha ou não, razão para criticar a teoria proposta por Skinner, se ela realmente têm falhas ou é a proposta mais coerente, tudo isso baseado na própria argumentação skinneriana para essa teoria.

Veremos principalmente a posição de Skinner diante do aprendizado lingüístico que para ele era conseguido apenas seguido de reforço e privação, e dessa maneira o behaviorismo acaba por cair em um processo indutivo de aquisição, pois considera essencialmente os acontecimentos que podem ser observados na língua, sem a preocupação com elementos estruturadores.

O artigo visa analisar a Teoria Behaviorista observando suas idéias e explicações para a aquisição da linguagem pelo ser humano, segundo o pensamento de Skinner através dessa teoria, para que possa ser obtida uma maior compreensão que contribuirá decisivamente para chegarmos ao estágio atual no aprendizado de algo tão essencial como a linguagem e conseqüentemente obter os conhecimentos em geral, dando um suporte teórico aos educadores em suas práticas pedagógicas.

O presente trabalho, sob a  orientação do professor Vicente Martins, da Universidade Estadual Vale do Acaraú(UVA), em Sobral, Estado do Ceará, contou com a elaboração das alunas do Curso de Letras Kétilla Maria Vasconcelos Prado,  Lady Dayana De Lima E Silva, Elvira Lima Moita, Glauciane Coutinho Henrique e Francisca Assunção Carneiro e Albuquerque.



Matéria publicada em 01/10/2006   - Edição Número 86