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O Haiti está aqui e a África também

Mário Luís Magnani


Segundo país das Américas a conseguir sua independência, o Haiti já foi a colônia mais rica do mundo. A sua independência e abolição dos escravos causou medo nas potências da época (Portugal, Espanha, França, Inglaterra e Estados Unidos) e, como resultado, foi isolado e passou a ser alvo de embargos comerciais. Internamente, a vida política do país também não foi das melhores.
O Haiti passou por revoltas e divisões que foram as principais causas das ditaduras instaladas e apoiadas por forças externas, principalmente dos EUA. Entretanto, na maioria das vezes o feitiço virou-se contra o feiticeiro, e vieram os embargos comerciais que acabaram de destruir a economia do país.
Não fosse a tragédia e o Haiti continuaria esquecido na memória de todos. A mídia e as organizações mundiais pouca importância davam aos problemas do Haiti ou de outros países pobres. Os ricos, em geral, aparecem nos momentos trágicos com muita ajuda e boa vontade, mas, com pouca organização, o que impede que as doações cheguem a quem precisa.
Se o Haiti já era um país desgovernado pela ausência do Estado que não possui forças armadas, sob o argumento de que as mesmas eram utilizadas para derrubar governos democráticos e instalar ditaduras, a situação piorou como desespero pós-tragédia.
A reconstrução do país e a devolução da dignidade do povo haitiano é uma obrigação dos países que invariavelmente apoiaram os governos ditatoriais, exigiram pagamento pelo reconhecimento da independência, como foi o caso da França e que agora apóia o perdão da dívida externa haitiana, e que criaram dificuldades para o desenvolvimento do Haiti com através dos embargos comerciais. Teme-se, entretanto, que após a ajuda emergencial, a reconstrução do país caia no esquecimento.
O que se vê no Haiti, mesmo antes da tragédia, nada mais é do que o resultado da exploração dos colonizadores europeus e da submissão de organismos internacionais aos interesses e ao poder de países ricos. O Haiti é a África retratada na América, e ambos podem ser vistos em qualquer grande cidade do Brasil. Basta abrir os olhos.

 

 

 

Sobre o autor:

Mário Luís Magnani é pós-graduado MBA em Tecnologia da Informação Aplicada à Gestão Estratégica de Negócios pela Fundação Getúlio Vargas-RJ. É co-autor do livro Estratégia de Mundialização para Pequenas e Médias Empresas  e tem publicado artigos, crônicas sobre os problemas sociais do Brasil e do mundo como educação, economia, política, globalização e relacionamento entre clientes e fornecedores.
e-mail: mlmagnani@hotmail.com
http://revistapanorama360.wordpress.com

 



Matéria publicada em 01/02/2010   - Edição Número 126